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O que olhar na visita ao imóvel: o checklist de quem vai decidir

11 de setembro de 2026 10 min de leitura
Casal conhecendo um imóvel com o corretor antes de decidir pela compra

Infiltração atrás do armário, pressão baixa no chuveiro e o vizinho barulhento das oito da noite não aparecem na visita de terça à tarde. O que testar em cada cômodo, o que só se descobre em outro horário, o que perguntar ao corretor e o que fotografar para comparar depois.

Meia hora andando por um imóvel decide um contrato que vai durar anos, e boa parte das visitas é gasta olhando exatamente o que já estava nas fotos do anúncio. O que faz a pessoa se arrepender depois quase nunca está na sala bonita.

Está no barulho das oito da noite, na pressão do chuveiro, no cheiro do armário embutido e no valor do condomínio. Tudo isso dá para descobrir na visita, desde que você saiba onde olhar e a que horas voltar.

Leve quatro coisas no bolso

  • Trena. O anúncio mede o imóvel, não a sua mobília. Vá com a medida do sofá, da cama e da geladeira anotadas no celular.
  • Carregador de celular. É o jeito mais rápido de testar se a tomada funciona de verdade.
  • Lanterna. A do celular resolve, e serve para olhar embaixo das pias, no fundo dos armários e dentro do quadro de luz.
  • Uma lista de perguntas escrita, a mesma em todas as visitas. Comparar depois só funciona se você perguntou a mesma coisa em todos os imóveis.

Antes de marcar qualquer coisa, vale conferir o preço do m² do bairro. Chegar sabendo se o valor pedido está dentro ou fora da média muda a conversa inteira na visita.

A visita começa na calçada, não na porta

Chegue dez minutos antes e dê a volta no quarteirão a pé. Esses dez minutos contam mais sobre a sua rotina futura do que o tour pelo imóvel.

Repare na calçada e na iluminação, em quanto carro está estacionado na rua, em qual comércio está aberto e em quanto se anda até o ponto de ônibus ou o mercado. Olhe também o terreno vazio ao lado: hoje é sol na sua janela, e em dois anos pode ser um prédio.

Se der, faça o trajeto até o trabalho no horário em que você faria de verdade. Distância no mapa e distância às sete da manhã são coisas diferentes.

O prédio conta mais que o apartamento

Em condomínio, metade dos problemas que você vai viver não está dentro da unidade. Passe pela garagem, pelo hall, pelas escadas e pela área comum antes de subir.

  • Garagem: teste a manobra até a vaga, veja se há coluna atrapalhando e procure mancha de infiltração nas paredes e no teto.
  • Elevador: quantos são, se algum está parado e se há aviso de modernização. Troca de elevador vira rateio.
  • Quadro de avisos: é o jornal do prédio. Obra de fachada, assembleia, rateio, regra nova e reclamação de barulho aparecem ali antes de chegarem até você.
  • Porteiro ou zelador: pergunte sobre falta de água, barulho e obras previstas. Quem trabalha no prédio responde o que o anúncio não diz.

E pergunte o valor do condomínio antes de se apaixonar pelo imóvel, porque ele é despesa fixa e não sai mais.

Condomínio mensal Em 12 meses Em 5 anos
R$ 400R$ 4.800R$ 24.000
R$ 800R$ 9.600R$ 48.000
R$ 1.200R$ 14.400R$ 72.000

Premissa da tabela: valor informado na visita, projetado sem reajuste, para 5 anos de moradia. Na prática ele sobe, então o número real fica maior. Entre dois imóveis parecidos com R$ 400 de diferença no condomínio, são R$ 24.000 em cinco anos, o que costuma pesar mais do que a diferença de preço que se discute na proposta.

Pergunte o que o condomínio inclui. Água, gás, portaria 24 horas e até IPTU aparecem embutidos em alguns prédios e fora em outros. Dois valores só são comparáveis quando você sabe o que cada um cobre.

Checklist de cômodo por cômodo do que testar durante a visita ao imóvel

Cômodo por cômodo, o que se testa com a mão

Abra, aperte, acenda e escute. A visita é o único momento em que testar sai de graça.

Onde olhar O que fazer na hora O que o sinal ruim costuma indicar
Teto e cantos das paredesProcurar mancha amarelada, bolha na pintura e mofoInfiltração vinda da laje, do telhado ou do vizinho de cima
Atrás de portas e de móveisPedir para olhar atrás do armário e da cabeceiraMofo escondido, o achado mais comum em imóvel ocupado
PisoPisar nos cantos e bater de leve nos azulejosSom oco é peça descolada. Uma moeda que rola sozinha denuncia desnível
Chuveiro e torneirasAbrir tudo ao mesmo tempo e ver se a água esquentaPressão baixa, aquecedor no fim da vida ou encanamento antigo
Ralos e vasosJogar água em cada ralo e dar descargaEscoamento entupido ou caixa que corre sozinha
Portas e janelasAbrir e fechar todas, inclusive as dos fundosEsquadria empenada, trilho quebrado e vedação ruim contra chuva e ruído
Tomadas e disjuntoresPlugar o carregador e abrir o quadro de luzFiação antiga, sem capacidade para chuveiro elétrico e ar condicionado
Vista de cada janelaOlhar para fora em todos os cômodosParede do vizinho, poço de ventilação ou terreno que vai virar obra
CheiroEntrar e sentir antes de abrir tudoMofo, esgoto ou gordura. Aromatizador forte pede uma segunda visita

Nada disso é lista de defeito para exigir conserto: é informação para decidir e para negociar, e como transformar isso em desconto está em como negociar o preço do imóvel. Trocar a fiação de um apartamento inteiro, por exemplo, é uma obra que você precisa saber que existe antes de assinar, não depois.

O que só aparece em um horário específico

Visita de imóvel costuma ser marcada no horário que é bom para o corretor, quase sempre no meio da tarde de um dia útil. É justamente quando o imóvel mostra menos coisa.

Horário O que só se descobre ali
Começo da manhãPressão da água no horário de pico, sol da manhã nos quartos, barulho de trânsito e de escola
Meio-diaQuanto o imóvel esquenta, se existe ventilação cruzada e se dá para ficar sem ar condicionado
Fim de tardeO sol que torra a sala, o trânsito da volta e se ainda sobra vaga na rua quando todo mundo chega
NoiteVizinho barulhento, som de bar, iluminação da rua e a sensação de chegar em casa no escuro
Fim de semanaFesta no salão, obra do vizinho, feira na rua e o movimento real do prédio

Sobre o sol, uma regra simples resolve: na maior parte do Brasil, a face voltada para o norte recebe sol durante boa parte do dia e a face sul quase não recebe. Janela para o leste pega o sol da manhã, mais suave, e janela para o oeste pega o da tarde, que é o que esquenta a casa.

A bússola do celular responde isso em cinco segundos, dentro do imóvel, sem depender do que o anúncio diz.

Peça a segunda visita em outro horário. É gratuita, dura vinte minutos e é o filtro mais barato que existe antes de assinar qualquer coisa. Se houver resistência em mostrar o imóvel à noite ou no fim de semana, isso também é informação.

As perguntas que fazem a visita valer

Leve as perguntas anotadas e faça todas, em todos os imóveis. O corretor está ali para responder, e o que ele não souber na hora, ele busca.

  1. Há quanto tempo o imóvel está anunciado, e o preço já foi reduzido?
  2. Por que o dono está vendendo ou desocupando?
  3. Quanto é o condomínio e o que ele inclui?
  4. Existe rateio, obra aprovada ou cota extra prevista para os próximos meses?
  5. Quanto foi o IPTU deste ano, e ele está em dia?
  6. O que fica no imóvel? Armário planejado, ar condicionado, luminária e fogão entram ou saem?
  7. A vaga de garagem é numerada, rotativa ou nem consta no registro?
  8. O imóvel está financiado ou tem alguma pendência?
  9. Qual o prazo para a entrega das chaves, se a proposta for aceita?
  10. O proprietário aceita proposta abaixo do anunciado?

O que for decisivo para você, peça por escrito depois, nem que seja por mensagem: valor do condomínio, o que fica no imóvel e prazo de entrega. Combinado de boca some na hora do contrato.

As respostas sobre dívida e registro se conferem no papel, não na visita. Esse passo tem checklist próprio em o que checar na matrícula antes de comprar, e os custos que entram além do preço estão em quanto custa comprar um imóvel além do preço.

Celular, trena e relógio, o material de quem vai comparar imóveis depois da visita

Fotografe pensando em como vai comparar depois

Depois da quarta visita, os imóveis viram um só na memória, e o que sobra é uma impressão vaga. Foto de anúncio não ajuda nisso, porque ela foi feita para vender, com lente aberta e no melhor ângulo.

Se o imóvel estiver ocupado, peça autorização antes de fotografar. Depois, registre nesta ordem:

  • Cada cômodo a partir do canto oposto à porta, para pegar o ambiente inteiro.
  • O teto, os cantos das paredes e o que estiver embaixo das pias.
  • A vista de cada janela e a fachada do prédio a partir da rua.
  • O quadro de avisos do condomínio e a vaga de garagem.
  • Um vídeo corrido de dois minutos, narrando o que você vê. Ele guarda o barulho da rua, que nenhuma foto registra.

Ao sair, ainda na rua, escreva três linhas: o que agradou, o que incomodou e uma nota de 0 a 10. É o que vai desempatar quando você estiver comparando três imóveis parecidos.

Se você ainda está montando a lista de visitas, os anúncios disponíveis estão em imóveis à venda e em imóveis para alugar, com a imobiliária que atende cada um. E, no aluguel, depois de assinar vem outra etapa que não se confunde com a visita: a vistoria de entrada, feita com o imóvel já vazio, que define quem paga o que na saída.

Perguntas frequentes

O que olhar na visita ao imóvel?

Teto e cantos das paredes procurando infiltração, pressão da água com tudo aberto, tomadas, disjuntores, portas e janelas, a vista de cada janela e o cheiro do ambiente. Fora da unidade, olhe a garagem, o elevador, o quadro de avisos do condomínio e a rua.

Qual o melhor horário para visitar um imóvel?

O melhor é visitar duas vezes, em horários diferentes. De manhã cedo aparecem a pressão da água e o barulho do trânsito. No fim da tarde e à noite aparecem o sol que esquenta a sala, a vaga na rua, o vizinho barulhento e a iluminação pública.

Quantas vezes devo visitar antes de decidir?

Duas, no mínimo, quando o imóvel entra na lista final. A primeira serve para conhecer, e a segunda, em outro horário e sem pressa, serve para conferir o que passou batido e testar o que você não testou.

Posso tirar fotos e vídeo do imóvel na visita?

Pode, pedindo autorização quando o imóvel está ocupado, porque ali existem objetos pessoais do morador. O registro é para o seu uso na comparação, não para publicar.

O que perguntar ao corretor na visita?

Há quanto tempo está anunciado, por que estão vendendo, valor do condomínio e o que ele inclui, IPTU do ano, se há rateio ou obra aprovada, o que fica no imóvel, como é a vaga de garagem e qual o prazo de entrega das chaves.

Como saber se o imóvel tem infiltração?

Procure mancha amarelada, bolha na pintura, tinta nova em um pedaço só da parede e cheiro de mofo, principalmente nos cantos, atrás de portas e de móveis. Banheiro e cozinha do vizinho de cima costumam ser a origem, então olhe o teto desses cômodos com atenção.

Dá para testar a pressão da água na visita?

Dá, e leva um minuto: abra o chuveiro e as torneiras ao mesmo tempo e dê descarga. Se puder, repita em uma visita no começo da manhã, que é quando o prédio inteiro usa água e a pressão cai.

A visita para alugar é diferente da visita para comprar?

O roteiro é o mesmo, mas o peso muda. Alugando, importa mais o que você vai usar todo dia e o que já está danificado. Comprando, importa também o que vai custar caro para consertar, como fiação, esquadria e telhado, e o que afeta a revenda depois.

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