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Golpes na compra e no aluguel de imóvel: como não cair

12 de setembro de 2026 12 min de leitura
Anúncio de imóvel aberto no celular ao lado de uma lupa, antes de qualquer pagamento

Quase todo golpe segue o mesmo roteiro: preço abaixo do mercado, pressa criada por quem anuncia e um pagamento pedido antes de qualquer documento. Os modos de operação mais comuns, o sinal que denuncia cada um e a checagem de 15 minutos que derruba todos.

Golpe com imóvel quase nunca começa com um documento falso. Começa com um anúncio bom demais, uma conversa simpática e um pedido de dinheiro que chega antes da hora de pagar qualquer coisa. Quando o documento falso aparece, o dinheiro já saiu.

O que protege é reconhecer o roteiro: preço abaixo do mercado, urgência que não vem de você, contato que foge do presencial e pagamento pedido fora do rito normal da compra ou da locação. Onde esses quatro aparecem juntos, pare.

O roteiro é quase sempre o mesmo

Muda o imóvel, muda o valor, muda a desculpa. A sequência não muda:

  1. A isca. Preço visivelmente abaixo do que a região pratica, com fotos boas demais para o valor pedido.
  2. A pressa. "Tem outra pessoa querendo", "só seguro até amanhã", "quem pagar primeiro leva".
  3. O desvio. A conversa migra para mensagem privada, e a visita sempre tem um motivo para não acontecer agora.
  4. O pedido de dinheiro. Um valor pequeno perto do preço do imóvel: reserva, taxa de visita, sinal, caução. Pequeno é de propósito, para você pagar sem consultar ninguém.
  5. O sumiço. Depois do pagamento, o telefone muda e o anúncio desaparece.

Quebrando qualquer um dos cinco elos, o golpe não fecha, e o mais fácil é sempre o quarto: nenhum pagamento antes das checagens do fim deste texto.

Anúncios de imóvel lado a lado, com um deles chamando atenção pelo preço fora da média

Preço muito abaixo do mercado e a pressa que não é sua

Preço baixo sozinho não é golpe: existe herança que a família quer liquidar, mudança de cidade, imóvel precisando de reforma pesada. O que denuncia é o preço baixo somado à pressa, e a pressa nunca nasce de você. Vendedor real com pressa explica e prova o motivo; quem só repete que outra pessoa está interessada está vendendo urgência, não imóvel.

A checagem que derruba: compare o valor pedido com o que a região pratica antes de responder qualquer coisa. Se destoa muito para baixo, sobram três explicações: o imóvel tem problema, o anúncio usa foto de outro, ou o anunciante não é o dono. Nenhuma melhora com pressa.

Taxa para reservar ou para visitar: dinheiro antes de existir negócio

É o golpe de maior volume porque é o mais barato de aplicar: valor pequeno, pago sem pensar, e a mesma conversa repetida com dezenas de interessados no mesmo dia. As versões comuns:

  • Taxa de reserva para "segurar" o imóvel enquanto você decide.
  • Taxa de visita ou "de agendamento", cobrada para o corretor abrir a porta.
  • Taxa de análise de cadastro paga por fora, em conta pessoal, antes de qualquer proposta assinada.
  • Adiantamento de caução para um aluguel que você ainda não viu por dentro.

A checagem que derruba: visita não se paga, e reserva sem contrato não reserva nada. Valor legítimo no início de uma locação está descrito em contrato que você leu antes, com o nome do titular e o CNPJ da administradora, nunca em mensagem pedindo transferência para pessoa física.

Falso proprietário: quem anuncia às vezes nem entrou no imóvel

Aqui o imóvel existe e as fotos são reais, muitas vezes copiadas de um anúncio verdadeiro. O que não existe é a ligação entre o imóvel e quem está falando com você. Os sinais são sempre de distância: a pessoa evita encontro presencial, some quando você pede documento, manda foto em vez do original e tem justificativa pronta para não estar na cidade.

A checagem que derruba: a certidão de matrícula atualizada, pedida no cartório de registro de imóveis da região, diz quem é o proprietário registrado. Esse nome tem que ser o mesmo do documento de quem assina e o do titular da conta que vai receber: os três iguais, ou não se paga. O que mais a matrícula revela está em o que checar na matrícula antes de comprar.

Procuração e o vendedor que "está fora do país"

Procuração é instrumento legítimo, usado todo dia em negócio limpo. Vira ferramenta de golpe quando some a possibilidade de falar com quem deu os poderes. Desconfie quando aparecerem juntos: proprietário no exterior, contato com ele impossível, venda que precisa ser rápida e pagamento na conta do procurador.

O documento tem três buracos clássicos: procuração falsificada, procuração verdadeira mas já revogada, e procuração que não dá o poder usado, por exemplo a que permite administrar mas não vender.

A checagem que derruba: exija procuração pública, lavrada em cartório de notas, e confirme com o cartório que a lavrou se ela existe e continua válida. Depois fale com o proprietário por um canal que você mesmo obteve. Procurador que impede esse contato já disse tudo.

Aluguel com chave em caixa de correio e cadeado com senha

No aluguel o golpe é mais rápido, porque a entrada é menor e a pressa de quem precisa morar é maior. O padrão é anunciar um imóvel real que está vazio e nunca aparecer: a chave está no cadeado com senha, na caixa de correio ou com o porteiro, e a senha chega assim que o pagamento for confirmado. Às vezes a pessoa até visita sozinha, ganha uma falsa sensação de segurança e paga para quem nunca teve a posse daquilo.

A checagem que derruba: nenhum valor sai antes do contrato assinado com quem provou ser proprietário ou administradora, e antes da chave entregue em mãos, com vistoria. Se a única forma de entrar é uma senha por mensagem, não é locação: é transferência para um desconhecido. Opções com contrato normal estão na busca de imóveis para alugar, e o registro do estado do imóvel na entrada está em vistoria de entrada do aluguel.

PIX e boleto trocados: o golpe do último minuto

Esse é o mais cruel, porque acontece no fim de uma negociação legítima, com pessoas reais e contrato real. Alguém invade ou imita o e-mail de uma das partes e reenvia os dados de pagamento com a conta trocada. Os sinais ficam no rodapé da mensagem: e-mail com uma letra diferente, dados mudados de última hora, titular com nome que não é o do vendedor, boleto com beneficiário desconhecido, e sempre um pedido de urgência junto.

A checagem que derruba: dados bancários se confirmam por voz, ligando para o número que você já usava antes, nunca para o que veio na mensagem nova. O titular tem que ser o vendedor, a imobiliária ou o cartório, com o nome batendo com a matrícula. Mudou de conta no dia do pagamento? Trate como golpe até provar o contrário.

Chave PIX aleatória não identifica ninguém antes da confirmação. Antes de concluir a transferência, o aplicativo do banco mostra o nome e o documento parcial de quem vai receber. Leia essa tela: é o último ponto em que o golpe ainda dá para parar de graça.

Quando o problema está no imóvel, não no anúncio

Existe um grupo de golpes em que todo mundo é quem diz ser e você perde o dinheiro do mesmo jeito. O problema está no imóvel e só aparece depois.

  • Dívida ou penhora escondida. O imóvel é vendido às pressas e com desconto porque está sendo usado para pagar uma dívida do dono. Quem compra herda a briga.
  • Duplo sinal. O mesmo imóvel é "vendido" para mais de um comprador, todos pagam sinal e só um leva, ou nenhum. Quem pagou sem registrar nada vira credor de alguém que sumiu.
  • Inventário mal resolvido, com herdeiro que não assinou e aparece depois para anular a venda.

A checagem que derruba: matrícula atualizada e certidões do vendedor. Pendência judicial e penhora costumam aparecer ali, e por isso a certidão tem que ser recente e pedida por você, não a cópia que o vendedor mandou. Contra duplo sinal, vale contrato assinado e levado a registro, com sinal pago de forma rastreável. O que precisa estar escrito antes de liberar o primeiro valor está em o que conferir no contrato de compra e venda.

Falso corretor e falsa imobiliária

Aqui a montagem é caprichada: site bonito, logotipo, endereço no rodapé, número de registro na página e uma carteira que aparece por foto. Tudo inventado, inclusive o número. O que entrega é a incoerência entre as peças: endereço que não corresponde a escritório nenhum, telefone só de celular, recibo sem CNPJ, e o dinheiro sendo pedido na conta de uma pessoa enquanto quem negocia diz ser empresa.

A checagem que derruba: registro não se aceita por foto, se consulta no conselho regional, que diz se aquele número existe e está ativo, para pessoa e para empresa. O passo a passo está em como saber se o corretor tem CRECI. E vale a regra do resto do texto: o nome que sai na consulta tem que ser o de quem recebe o dinheiro.

A checagem de 15 minutos antes de pagar qualquer valor

Somadas, as checagens abaixo levam cerca de quinze minutos, estimativa de quem já sabe onde clicar. É o melhor retorno por minuto de toda a negociação.

  1. Peça você mesmo a matrícula atualizada no cartório de registro de imóveis da região e confira o nome do proprietário.
  2. Confira o documento de quem assina: o nome tem que ser o da matrícula. Havendo procuração, confirme no cartório que a lavrou.
  3. Consulte o registro do corretor e da imobiliária no conselho regional, pelo número, não pela foto da carteira.
  4. Visite o imóvel presencialmente, com a pessoa, e entre. Imóvel que você não pisa dentro não se paga. O que conferir lá dentro está em o que olhar na visita ao imóvel.
  5. Pague nominalmente ao titular e leia a tela de confirmação antes de concluir. Sem contrato assinado, sem pagamento.
Sinal de alerta O que fazer
Preço muito abaixo do que a região praticaComparar com outros imóveis da mesma rua e exigir a matrícula antes de qualquer conversa sobre valor
Pressa criada por quem anunciaParar. Prazo que vence hoje é técnica de venda, não oportunidade
Taxa para reservar, visitar ou agendarNão pagar. Visita e reserva não se cobram por transferência solta
Vendedor que não aparece e está "fora do país"Exigir procuração pública e confirmar validade com o cartório que a lavrou
Chave em caixa de correio ou cadeado com senhaRecusar. Chave se entrega em mãos, com contrato e vistoria
Dados bancários mudaram em cima da horaConfirmar por ligação no número antigo, nunca no contato novo
Titular da conta diferente do nome na matrículaNão transferir enquanto os dois nomes não forem o mesmo
Recibo sem CNPJ e pagamento em conta pessoalPedir contrato e dados da empresa; consultar o registro no conselho
Anunciante recusa mostrar documento do imóvelEncerrar. Quem é dono mostra a matrícula sem drama

Vale para os dois lados do balcão. Quem vende também é alvo: visita marcada por desconhecido sem identificação, proposta com pagamento em conta de terceiro e comprador que quer resolver tudo sem presencial merecem a mesma desconfiança, inclusive em qualquer anúncio de imóvel à venda.

Este texto não substitui advogado. Ele mostra o padrão dos golpes e as checagens que qualquer pessoa faz sozinha. Documento de imóvel quem lê com você é advogado, e suspeita de crime se registra em boletim de ocorrência na delegacia, presencialmente ou pela delegacia eletrônica do seu estado.

Perguntas frequentes

Como saber se quem está anunciando é mesmo o dono do imóvel?

Pela certidão de matrícula atualizada, pedida por você no cartório de registro de imóveis da região do imóvel. O nome do proprietário que está lá tem que ser igual ao do documento de quem assina e ao do titular da conta que vai receber. Cópia enviada pelo anunciante não serve como prova.

É normal pagar taxa para visitar um imóvel?

Não. Visita não se cobra, nem em compra nem em locação. Cobrança para "abrir a porta", "agendar" ou "reservar", pedida por transferência antes de qualquer contrato, é um dos golpes mais comuns, justamente porque o valor é pequeno e a pessoa paga sem consultar ninguém.

Anúncio muito barato é sempre golpe?

Não, mas exige explicação. Herança, mudança de cidade e imóvel precisando de reforma justificam preço abaixo do mercado. O que quase nunca é legítimo é o preço baixo somado à pressa, à recusa de mostrar documento e à impossibilidade de visitar. Nesse conjunto, o desconto é a isca.

Como não cair no golpe do PIX ou do boleto trocado?

Confirme os dados bancários por voz, ligando para o número que você já usava antes. Veja se o titular é o vendedor, a imobiliária ou o cartório, e leia a tela de confirmação do aplicativo. Mudança de conta em cima da hora é motivo para parar.

Procuração serve para vender um imóvel?

Serve, e é usada em negócios legítimos todo dia. O cuidado é exigir procuração pública lavrada em cartório de notas, confirmar com o cartório se ela existe e continua válida, e verificar se ela dá mesmo poder para vender. Falar com o proprietário por um canal obtido por você fecha a checagem.

Posso alugar um imóvel só por WhatsApp, sem ver pessoalmente?

Não vale o risco. Sem entrar no imóvel e sem contrato assinado com quem provou ser proprietário ou administradora, você está transferindo dinheiro para um desconhecido. Chave entregue por caixa de correio ou cadeado com senha depois do pagamento é o roteiro clássico do golpe de aluguel.

Como saber se a imobiliária existe de verdade?

Consulte o registro da empresa no conselho regional, pelo número, e veja se está ativo. Some endereço físico verificável, recibo com CNPJ e conta bancária em nome da empresa. Site bonito e número escrito no rodapé não provam nada: o número precisa ser consultado.

Paguei e descobri que era golpe. O que faço agora?

Avise o banco no mesmo dia, porque transferência recente às vezes ainda pode ser contestada, e registre boletim de ocorrência na delegacia, presencialmente ou pela delegacia eletrônica do seu estado. Guarde o anúncio, as conversas e o comprovante, e procure um advogado.

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